Longevidade e exercício físico

 

Talita Cezareti  

 
A população mundial esta ficando mais velha e no Brasil não é diferente. Segundo uma pesquisa divulgada em abril pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira manteve a tendência de envelhecimento dos últimos anos e ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017. A estimativa é de que em 2050, a população idosa corresponda a aproximadamente 29,3%.
Porém, junto com a expectativa de vida maior (em 2050 poderá atingir os 81.3 anos) aumenta a preocupação com envelhecer bem. Estudos recentes vêm mostrando que a melhor maneira de ter uma longevidade plena é praticar exercícios físicos, manter uma alimentação saudável e ter boas relações afetivas. Para manter a saúde em dia é preciso ter bem estar físico, mental e social.
A prática do exercício físico de maneira regular é essencial para o envelhecimento saudável. E dentro desse universo existe uma série de possibilidades sendo necessária a orientação de um professor de Educação Física qualificado para indicar o que o idoso pode ou deve fazer. É importante escolher uma atividade que ele tenha prazer em executá-la. Isso vai fazer com que a presença na atividade escolhida seja mais fácil e por consequência os resultados serão mais consistentes.
 
Inúmeras alterações acontecem no corpo humano em decorrência do processo de envelhecimento, como por exemplo, a massa e a força muscular, que diminuem a partir dos 40 anos, com aceleração após os 65 anos. Assim, o exercício se torna extremamente necessário a partir da meia idade quando se trata de prevenção e qualidade de vida na velhice.
 
A geração que hoje que tem por volta dos 70 anos, é bem diferente da nossa quanto à cultura do exercício. Muitos nunca fizeram exercício físico, principalmente as mulheres que em sua maioria cuidaram dos filhos e da casa.  Muitas vezes esses alunos chegam até nós por prescrição médica, com dor e uma série de limitações. Mas, ao mesmo tempo, são facilmente incentivados quando percebem que o exercício faz com que ele se mova melhor e sem dor. A conduta profissional também é importante, pois deve ser totalmente diferente com o público idoso. A empatia e a cautela em manter o equilíbrio da relação benefício/segurança são essenciais para que o aluno se sinta confortável neste novo universo.
 
Um ponto importante é como incentivar a autonomia e a independência no idoso. A autonomia se relaciona com uma boa cognição e humor, já a independência com mobilidade e comunicação. Ambos, preservados, levam a uma boa funcionalidade. Muitas vezes  perder a funcionalidade causa prejuízos psicológicos graves para o idoso e pode ser consequência de uma atitude de proteção familiar. Por medo de quedas e acidentes a família vai retirando ações que eram comuns ao idoso. O exercício é importante nesse momento para manter um corpo ativo e capaz, mas acredito que deixar o idoso realizar as suas atividades rotineiras seja essencial para que se sinta útil e estimulado. Quanto mais o idoso se manter parado, mas fragilizado estará.
 
O idoso, muitas vezes, se encontra com os vínculos sociais e familiares fragilizados devido às perdas inerentes ao envelhecimento. O luto pode levar a restrição da rede social e desenvolver quadro de ansiedade e depressão.
 
O exercício físico também é importante para o combate a tristeza e o isolamento, pois além de liberar serotonina que é um neurotransmissor responsável pela sensação de felicidade e bem estar, quando feito em grupo pode ser um instrumento de socialização. O idoso com mais convívio social, tem mais chances de fazer novos amigos e até mesmo, se estiver sozinho, encontrar um novo companheiro ou uma companheira.
 
As principais adversidades associadas ao envelhecimento são as incapacidades e a dependência. As causas comuns de incapacidades são as doenças crônicas como seqüelas de acidente vascular cerebral, doenças reumáticas, doenças cardiovasculares, fraturas etc. Já a dependência, sendo uma diminuição das capacidades físicas, limita o idoso de maneira funcional. Ele começa a não poder mais realizar suas atividades da vida diária. A conseqüência é a necessidade do auxilio do outro, que muitas vezes pode não existir. Sendo necessária a institucionalização do idoso. É fundamental que se tenha medidas preventivas, principalmente pela prática de exercício físico, que pode retardar o início das limitações, aumentando o tempo de vida ativa e independente.
 
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Talita Cezareti é Educadora Física, especialista em Gerontologia e idealizadora do Programa Envelhecer Bem – exercício físico para idosos. 
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